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O polêmico gene gay

01 fev

“99,5% de certeza”
A pesquisa genética propriamente dita ganhou as páginas de todo o mundo em 1993. Naquele ano um artigo na prestigiada revista “Science” trazia os resultados do estudo feito pelo americano Dean Hammer com 114 famílias de homossexuais.

Hammer afirmava com “99,5% de certeza” haver encontrado indícios da existência de um ou mais genes ligados à orientação sexual na região q28 do cromossomo X (ou Xq28). Um segundo estudo, realizado pelo mesmo grupo dois anos depois, chegou a resultados semelhantes.

Assim como aconteceu com os estudos com gêmeos, a controvérsia científica logo emergiu. Em 1999 o canadense George Rice examinou amostras genéticas de 52 duplas de irmãos gays e disse não ter encontrado sinais de que algum gene do Xq28 pudesse desempenhar qualquer papel relevante na orientação sexual. Essa guinada forneceu munição pesada para os céticos, que procuraram desmoralizar totalmente o trabalho de Hammer.

O americano tentou argumentar que havia diferenças metodológicas importantes entre os dois estudos (como a forma pouco criteriosa pela qual o grupo canadense decidia quem era homossexual ou não), mas o estrago junto à opinião pública já estava feito. Hammer mudou de área e foi estudar a genética da religião.

Outros caminhos trilhados ao longo dos anos 1990 na busca por diferenças biológicas entre homossexuais e heterossexuais levou os pesquisadores a resultados inusitados. Foram encontradas diferenças em itens como a fertilidade das mães, o raciocínio espacial e até a relação entre o comprimento dos dedos anelar e indicador (veja nos quadros “Desde o nascimento?” e “Diferenças aparentes”). “Pessoalmente, vejo essas descobertas com ceticismo, pois são diferenças muito pequenas”, diz Bailey.

Talvez a descoberta mas relevante tenha sido o chamado “efeito do irmão mais velho”. Ao que parece, o número de irmãos mais velhos poderia elevar a probabilidade de que um homem nasça com orientação homossexual.

Curioso é que o número de irmãs mais velhas não parece fazer diferença. Apesar de ganharem a atenção da mídia e dos especialistas, esses trabalhos não esclareceram realmente os eventuais mecanismos biológicos que influenciariam a orientação sexual.

Revista Galileu

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Publicado por em 1 de fevereiro de 2011 em OPINIÃO

 

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